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Neurociência
O texto da  reportagem abaixo é da revista Planeta, Março de 2006 - Comprova que a ciência agora está no caminho que trilhei com o
Indutor de Terapia Magnética.

Neurociência

 

Estimulação magnética

A MEMÓRIA DEVASSADA

Uma nova técnica está aos poucos revolucionando a neurociência: a estimulação magnética transcraniana (EMT). Diferentemente dos instrumentos de imagens usados ate hoje, que apenas observam o cérebro em funcionamento, a EMT pode interferir na atividade nervosa - modificando-a, aumentando-a ou ate mesmo anulando-a. Com isso, ela tem revelado aspectos da memória humana ainda desconhecidos e reforça a luta contra doenças como a depressão, a esquizofrenia e distúrbios motores.

Por Eduardo Araia

Brilho etemo de uma mente sem lembranças,

Um dos filmes mais interessantes que Hollywood produziu nos últimos anos, parte de uma premissa inusitada: ao descobrir que Clementine (Kate Winslet), a namorada com quem viveu uma relação turbulenta, mas de intensa paixão, submeteu-se a um tratamento pioneiro para apagar as lembranças do romance, Joel (Jim Carrey) decide re-correr a mesma tática - mas descobre depois que não quer esquecer-se da moca. Enquanto a maquina persegue as memórias de Clementine na mente de Joel, este se esforça para oculta-las em "esconderijos" cada vez mais inesperados da memória.

 

 

Neurociência
 

Esse ponto de partida e os desdobramentos a que ele conduz são exemplos da inventividade do roteirista Charlie Kaufmann, um talento de resto já consolidado no meio cinematográfico. Mas pelo menos uma idéia do argumento - a do tratamento que elimina lembranças - não e tão original assim. Em tese, a técnica que possibilita isso - a estimulação magnética transcraniana, ou EMT - existe há anos e, embora ainda esteja no estagio experimental, já mereceu espaço em publicações como a revista inglesa The Economist e a italiana L'Espresso.

O pioneiro nesse terreno e o inglês Anthony Barker, medico do Royal Hospital de Sheffield. Em 1985, ele mostrou a seus colegas do hospital uma experiência surpreendente: aplicou campos magnéticos sobre a testa de um voluntário de tal forma que os dedos deste tamborilaram na mesa sem que ele tivesse a mínima intenção de movê-los. O experimento causou alvoroço no meio cientifico, e diversos laboratórios espalhados pelo mundo passaram a investir nessa linha de pesquisa e nas máquinas que ela envolve.

 

 

Uma técnica simples e promissora

A revista cientifica americana Nature deu mais forca ao assunto ao publicar, no fim de 2002, o re-sumo de um estudo em que cientistas dirigiam a distancia os movimentos de alguns ratos a partir da estimulação de regiões especificas do cérebro dos animais.

A EMT esta baseada na aplicação de campos magnéticos potentes e de duração bem curta numa região do cérebro próxima ao córtex motor. O campo magnético penetra na testa praticamente sem

 

Da experiência à prática


Relacionamos a seguir algumas
das áreas de aplicação da estimulação magnética transcraniana consideradas mais promissoras:

Esquizofrenia - Alvaro Pascual-Leone, da Escola de Medicina da Universidade Harvard e um dos pioneiros da EMT, avalia se a técnica pode ser útil para tratar pacientes esquizofrênicos.

Distúrbios motores - 0 emprego de campos magnéticos já esta aprovado no tratamento de alguns distúrbios motores.

Acidentes vasculares cerebrais - Maximiliano Oliveri, do Hospital Santa Lucia de Roma e da Universidade de Palermo, tern pesquisado a eficácia da EMT para auxiliar a recuperação funcional de pessoas que, depois de um AVC, não conseguiam mais perceber e interagir com o espaço a sua esquerda. Segundo seus estudos, o estimulo de certas áreas melhora a percepção tátil e visual dos pacientes e facilita a recuperação.

Depressão - A EMT atua em casos de depressão equilibrando a assimetria observada entre os lobos pré-frontais esquerdo e direito. Seu emprego pode evitar o tratamento com choques elétricos. O Canadá já aprovou o uso da estimulação magnética para o tratamento dessa doença. Mas a técnica ainda está longe de ser uma unanimidade entre os estudiosos do tema.


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..Sem memóriaEm Brilho eterno de uma mente sem lembranças. O personagem principal faz um tratamento para eliminar certas recordações. Na vida real, a técnica que permite isso (a EMT) pode ser usada para acelerar o aprendizado, por exemplo (pagina ao lado).

 

 

 

 

Acarretar alterações nos tecidos da cabeça, e induz correntes elétricas em determinadas zonas do cérebro. "Na pratica, os voluntários estão deitados ou mesmo sentados, e o operador tern sobre a zona a ser excitada uma bobina de cobre ligada a um condensador", observa o pesquisador italiano Massimiliano Oliveri, que se especializou na técnica nos Estados Unidos e hoje conduz suas experiências no Hospital Santa Luda de Roma e na Univer­sidade de Palermo: "Quando a carga elétrica e descarregada, há um barulho muito intenso. O impulso dura um milésimo de segundo, e pode ser repetido 50 vezes no mesmo segundo. Desse modo, se in­terfere na atividade normal do cérebro... e depois se ob-serva o que acontece."

A técnica tem algumas características que a tornam atraente aos pesquisadores e potenciais usuários da área medica: não causa dor, e considerada não invasiva, sua aplicação e simples e representa baixo risco para pesquisas em seres humanos. Com isso, os estudiosos já vislumbram um variado leque de empregos para ela, que inclui o tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas, a reabilltação apos um acidente vascular cerebral (AVC) e aceleração do aprendizado.

 

A estimulação magnética origi­nal nasceu com o trabalho de pesquisa. "Os primeiros neurologistas a utilizavam para estudar os mecanismos cerebrais que governam o movimento", observa Oliveri. As técnicas de imagens, que permitem visualizar a ativação das áreas do cérebro a partir das percepções dos estímulos e do desenvolvimento de tarefas, possibilitaram entre os anos 80 e 90 uma compreensão bem mais ampla do funcionamento do sistema nervoso. A EMT representa um avanço nessa linha de pesquisa. A atividade das células nervosas, constatam os estudos, pode ser temporariamente alterada, aumentada ou mesmo anulada. Com isso, os cientistas deixam de ser meros observadores de o que acontece no cérebro e ganham espaço para fazer experiências.

Alguns experimentos notabilizaram-se por "roubar" capacidades das pessoas testadas, convertendo o melhor dos oradores em alguém incapaz de falar ou transformando um matemático de elite num estúpido que não sabe nem mesmo fazer as quatro operações básicas. Em 2001, por exemplo, o neurocientista Alfonso Caramazza e seus colegas da Universidade Harvard estimularam com repetidos impulsos magnéticos o córtex pré-frontal (zona cerebral envolvida nos processos verbais) de voluntários. Resultado: as pessoas examinadas não conseguiam conjugar os tem­pos e os modos dos verbos, mas o distúrbio momentâneo não afetou sua capacidade de enunciar os substantivos no singular e no plu­ral. Portanto, o cérebro usa regiões diferentes para conjugar ver­bos e flexionar substantivos. Experiências semelhantes revelaram que uma pessoa pode ficar incapacitada de identificar as expressões de raiva de seus seme­lhantes, reconhecer rostos familiares, perceber os movimentos dos objetos ou articular palavras.
Com esses resultados, pode-se pensar que a EMT e sinônimo de perda de capacidade, mas a conclusão é incorreta - ela também pode ser utilizada para melhorar a aprendizagem, por exemplo. Jordan Grafman, do Instituto Nacional de Doenças Neurológicas de Bethesda (EUA), aplicou a técnica com o objetivo de aumentar por um breve período a capacidade de alguns voluntários para resolver problemas de geometria. O sucesso veio ao estimular a região do córtex que, de acordo com estu­dos anteriores, fica mais ativa quando o cérebro se concentra em problemas de palavras cruzadas e jogos de figuras geométricas.

Na mesma vertente, o psiquiatra Mark George, da Universida­de Medica da Carolina do Sul (EUA), conta com o apoio do Departamento de Defesa de seu país na sua pesquisa para verificar se a EMT pode ajudar a melho­rar as capacidades mnemônicas. E, de acordo com os especialistas, muito mais notícias boas podem vir dessa técnica.

Planeta [77] março 2006



 



 

 

 
         
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